Você sabe que, no mundo de hoje, as exigências são cada vez maiores e somente os profissionais bem preparados têm reais possibilidades de aproveitar as melhores oportunidades de trabalho. Uma das habilidades necessárias para o sucesso profissional, principalmente para os operadores do Direito, é o conhecimento da Língua Portuguesa. Observa-se atualmente grande preocupação dos falantes com a adequação lingüística, com o domínio do uso formal da língua, fato comprovado pelo sucesso e multiplicação de colunas jornalísticas e programas de televisão dedicados a dirimir dúvidas que acometem sistematicamente o usuário da língua. Foi pensando nisso que surgiu o SOS Português, um canal de comunicação para auxiliar quanto ao uso correto da linguagem. Um dos objetivos, nesse contato direto, é desmitificar a idéia de que dominar a língua é muito difícil.
No contexto da reforma ortográfica, algumas palavras da ambiência jurídica também sofreram alterações. Vejamos:
Co- herdeiro ou coerdeiro?
No anexo do acordo , na alínea a, item 1º, Base XVI,entre outros prefixos, em se tratando de co, temos de forma expressa: “Nas formações em que o segundo elemento começa por h (co-herdeiro)”. No entanto, a Academia Brasileira de Letras registrou no dicionário apenas coerdeiro.
Argüir ou arguir?
O correto, agora, é arguir, sem trema.
Auto-acusação ou autoacusação?
O correto é autoacusação. Não existirá hífen se o prefixo ou pseudoprefixo terminar em vogal e o segundo elemento começar por vogal diferente.
Vejamos as principais modificações na nova ortografia
1. O alfabeto passará a ter oficialmente 26 letras. Antes, tínhamos 23. O novo acordo ortográfico incorpora as letras “K”, “W” e “Y” .
2. O trema oficialmente deixará de existir. Portanto, poderemos escrever “linguiça, frequente, cinquenta, aguentar, sequestro”, mas continuará usado em nomes próprios de origem estrangeira.
3. O hiato “ôo” não será mais acentuado, escreveremos “voo, abençoo, enjoo, abotoo, coo”.
4. O acento agudo dos ditongos orais abertos “-éi, -ói” das palavras paroxítonas será abolido. Traduzindo: só serão acentuados com agudo os ditongos abertos “-ei, -ói, -éu” das palavras oxítonas. Assim, palavras como “idéia, assembléia, boléia, jibóia, jóia, heróico, paranóico” perderão o acento e serão assim grafadas: “ideia, assembleia, boleia, jiboia, joia, heroico, paranoico”. Saliente-se: essa mudança só afetará as paroxítonas. Portanto, continuarão com acento, por exemplo, “céu, réu, véu, chapéu, ilhéu, papéis, coronéis, pastéis, anzóis, caracóis, herói”, já que são vocábulos oxítonos.
5. O hiato “êem” das formas verbais dos verbos “crer, dar, ler e ver” e de seus respectivos derivados deixa de receber acento circunflexo. Portanto, a partir do novo acordo ortográfico, escrevam-se “creem, deem, leem, veem, descreem, preveem, releem”.
6. Desaparece a maioria dos acentos diferenciais. Dessa forma, com o novo acordo ortográfico, escreveremos “Ele não para para pensar”. Portanto, palavras como “pélo, péla, pêra, pólo” serão grafadas sem seus respectivos acentos. A nova reforma, entretanto, manteve obrigatório o acento da terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do modo indicativo do verbo “poder”: pôde. Igualmente será obrigatório o acento do verbo “pôr” para distingui-lo da preposição “por”. Por outro lado, serão facultativos os acentos em “demos” (1ª pessoa do plural do presente do subjuntivo, para distinguir de “demos” 1ª pessoa do plural do pretérito perfeito) e em “fôrma” (substantivo, para distinguir de “forma” substantivo e verbo).
7. O acento agudo colocado sobre o “U” tônico e proferido dos grupos “GUE, GUI, QUE e QUI” deixará de ser usado. Portanto, livrar-nos-emos, por exemplo, das formas acentuadas “averigúe, argúi, obliqúe, obliqúem, apazigúe”.
8. Não receberão mais acento as vogais “i” e “u” tônicas precedidas de ditongo das palavras paroxítonas. Por isso, quando o novo acordo ortográfico entrar em vigor, escreva “feiura, cheiissimo, boiuno, baiuca, cauila”. Não se esqueça de que só as paroxítonas serão afetadas. Continuam vivas – com acento – as oxítonas: Piauí, tuiuiú, por exemplo.
9. Em relação ao hífen, o novo acordo ortográfico mudou pouca coisa. A alteração mais substancial ocorreu no emprego do hífen com prefixos. Ele não será mais empregado quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por “r”, “s” ou “vogal diferente”. Logo, passaremos a escrever, por exemplo, “extraescolar, contrarregra, autoaprendizagem, antissemita, antirreligioso, extrarregular”. Entretanto, se o segundo elemento começar pelas consoantes “r” e “s”, e o prefixo terminar com uma delas, o hífen será obrigatório. Por isso, escreveremos “hiper-radical, super-revista, inter-relacionado”.
Demais, de mais, ademais
Demais (advérbio), no sentido de “muito”, caso em que intensifica um verbo, um adjetivo ou um outro advérbio. Exemplo: O réu falou demais.
Demais (pronome indefinido) equivale a “os restantes” , “os outros”, “os mais”, vindo quase sempre precedido de artigo.
Exemplo: Um dos réus deixou os demais nas mãos da polícia.
“De mais” –opõe-se a “de menos” e refere-se sempre a um substantivo ou pronome.
Exemplo: Não vejo nada de mais em sua atitude.
Ademais (advérbio): significa “além disso”.
Exemplo: Já disse tudo; ademais, não lhe devo tantas explicações.
A domicílio/ em domicílio?
Ambas são locuções que têm emprego diverso; a primeira usa-se com verbos ou nomes dinâmicos; a segunda se usa com verbos ou nomes estáticos.
Em domicílio – Ex: Fazemos entrega em domicílio.
A domicílio – Ex: Conduziram o doente a domicílio.
A par ou ao par?
A par – sentido de “bem informado”, “ciente”:
· Você precisa se manter a par de tudo o que acontece
Ao par – expressão usada para indicar relação de equivalência ou igualdade entre valores financeiros:
· As moedas fortes mantêm o câmbio ao par.
A nível de / em nível de ?
Dizem que a expressão a nível de é errada. É verdade?
No sentido de “no que diz respeito a”, “em relação a”, “em termos de”, esta expressão é um modismo, e de gosto duvidoso. Se optar por usá-la, empregue com a preposição em.
Exemplos:
Em nível de Brasil, verificam-se grandes diferenças regionais.
Não há outra opção melhor do que Gramado, em nível de turismo no Rio Grande do Sul.
A expressão a nível de deve ficar restrita ao sentido de nivelamento.
Exemplo:
Esta cidade não fica ao nível do mar.
As águas chegaram a um nível nunca antes visto.
Vale lembrar, ainda, que expressões como em termos de, no que concerne a, no que diz respeito a são bem mais elegantes e apropriadas ao nível culto da língua do que a nível de.
“À medida que” ou “à medida em que”?
Diz-se “à medida que” ou “à medida em que”?
Aqui, não se trata do “a” sem acento, como na frase “A medida que ele tomou é drástica”. Não é esse o caso. O que estamos discutindo é a locução conjuntiva “à medida que”, a qual alguns preferem, erroneamente, substituir por “a medida em que”. A forma correta é “à medida que”.
Apenas um lembrete: “locução conjuntiva” é todo grupo de palavras que relaciona duas ou mais orações ou dois ou mais termos de natureza semelhante.
À proporção que chovia…
“À medida que” significa o mesmo que “à proporção que”.
À medida que o frio avança, os idosos adoecem.
Trata-se de uma locução conjuntiva com valor de proporção, introduzindo orações subordinadas adverbiais de proporção.
Há ainda a locução “na medida em que”, que vem sendo usada na imprensa e em muitos textos com valor causal.
O político não conseguiu resolver o problema
na medida em que não enfrentou suas verdadeiras causas.
Ou seja,
O político não conseguiu resolver o problema
porque não enfrentou suas verdadeiras causas.
Alguns condenam o uso de “na medida em que” argumentando que não há registro histórico dessa forma na língua. Mas o fato é que essa construção já se tornou rotina, mesmo entre excelentes escritores.
O que não é aceitável sob hipótese alguma é escrever “à medida em que”.
Emprego do Porque
Por que
*Nas interrogações diretas.
Exemplo: Por que o nomearam?
*Quando der para substituir por “pelo qual”.
O ideal por que (pelo qual) lutamos é nobre.
As razões por que (pelas quais) esperamos foram várias.
* Quando vem expressa ou subentendida a palavra “motivo” (interrogação indireta).
Exemplo: Quero saber por que (motivo) elas não apareceram.
Por quê?
*No caso de interrogações diretas ou indiretas, no fim da oração
Exemplo: Nomearam-no por quê?
Elas não apareceram nem por quê.
*Conclusão: Toda vez que o porquê corresponder a uma pergunta, ele será separado, com ou sem acento.
Porque
(conjunção)
*Nas explicações (respostas).
Exemplos: Não fiz porque não quis.
* Para indicar uma causa.
Exemplos: Não fiz porque estava viajando.
* Indicando finalidade.
Exemplo: Ela se esforça porque a admirem.
Porquê
Quando é substantivo, significando motivo ou palavra.
Exemplo: Já sei o porquê disto.
Não apresentou nenhum porquê.
Quê?
* Referindo-se à letra “q”.
Exemplo: Esta palavra se escreve com quê.
* Na exclamação.
Exemplo: Quê! é mentira!
* No final da oração:
Exemplo: Fazer o quê!
* Substantivo, significando jeito, modos.
Exemplo: Você tem uns quês de gênio.